Por: Olavo de Thatcher
Estive realizando estudos em meu recanto cheio de livros, poeira e coisas antigas. Cheguei à conclusão de que nossa sociedade está um caos generalizado. Meu filho, que é um milico exemplar, me veio dizer que foi reprovado num exame de aptidão de sei lá o que. Veja bem: o candidato aprovado tinha tirado a mesma nota que ele na prova, mas por sorte era ateu. Como o Estado é laico, ele foi admitido.
Com gancho nesta parábola moderna da nossa sociedade gorada, podemos notar o chamado "mimimi". Para a grande massa alienada comunista, o "mimimi", ou seja, a reclamação é de quem perdeu. Como quando seu time é goleado por 8x0 e você reclama de um impedimento antes do primeiro gol. Na verdade, meus caros amigos antigos, isto nada mais é do que se utilizar de um recurso, que para muitos é irrisório, em vista a obter certa vantagem em um processo seletivo, quero dizer, em qualquer coisa. É como, por exemplo, em um ato totalmente inescrupuloso, um time de futebol subir da Série C para a Série A de um campeonato. Malandragem pura.
Pois bem. A partir dai, podemos traçar um estudo psicológico de atitudes derivadas do "mimimi". Pense comigo: para que algo seja modificado em prol de uma causa qualquer, é preciso que haja um defeito inicial, um problema, uma mazela. Ou seja, para que a teoria do mimimi seja efetiva, é preciso que, necessariamente, haja a Lei de Murphy antes. Murphy era um engenheiro aeronauta americano que tentou fazer algo engenhoso e deu errado. Ele queria descobrir quanto um ser humano aguentaria sobre efeito de um foguete. Na verdade, ele tinha sensores que mediriam o qual um sujeito aguentaria antes que ele virasse guisado. Quase virou: os sensores estavam mal conectados. Até ai é Lei de Murphy pura. Depois, vira a Lei do Mimimi. Ele culpou o estagiário.
Um amigo meu que entende dessas coisas científicas, Dr. Hans Inepto, também compartilha desse pensamento. Ele afirma que o enunciado da Lei de Murphy, "o que tiver de dar errado, dará", pode muito bem ser completado com: "tudo pode ir, com jeito, do desastre ao sucesso". Hans viveu tanto tempo em Pindorama que descobriu nossa palavra mais cultuada, seguida de Ordem e Progresso: jeito. O chamado "jeitinho", que alguns chamam de lei da termodinâmica tupiniquim. O "jeitinho" é um artifício utilizado para driblar um suposto problema, que na verdade é caracterizado pela inaptidão. Nem todos são incompetentes completos. É ai que o "mimimi" se torna uma qualidade. Vira um artifício em meio a falta de justificativas. Malandragem legítima.
Vejamos Titonho. Ele nasceu um centímetro menor que Golimar. Eles têm a mesma idade, estudos, condições e chegaram à linha de chegada exatamente ao mesmo tempo. Mas Titonho tem uma desvantagem na vida: ele é mais baixo. Logo, ele é o vencedor. Antigamente poderia ser realizado um sorteio, mas os jogos de azar estão proibidos neste país.
Enfim, o "mimimi" está ai. Não há mais igualdade. Todos nós somos diferentes – e os mais espertos melhores – segundo esta lei. Não há como competir. Desista. Deixe de lado. Viram isso? Até isso essa lei faz. Que haja menos concorrentes. O "efeito mimimi" está generalizado na sociedade. Inclusive hoje mesmo vou concorrer ao Nobel de Física. Sou mais feio que Werner Heisenberg. Sem dúvidas, sou o favorito.
A teoria do mimimi
Por: Olavo de Thatcher
Estive realizando estudos em meu recanto cheio de livros, poeira e coisas antigas. Cheguei à conclusão de que nossa sociedade está um caos generalizado. Meu filho, que é um milico exemplar, me veio dizer que foi reprovado num exame de aptidão de sei lá o que. Veja bem: o candidato aprovado tinha tirado a mesma nota que ele na prova, mas por sorte era ateu. Como o Estado é laico, ele foi admitido.
Com gancho nesta parábola moderna da nossa sociedade gorada, podemos notar o chamado "mimimi". Para a grande massa alienada comunista, o "mimimi", ou seja, a reclamação é de quem perdeu. Como quando seu time é goleado por 8x0 e você reclama de um impedimento antes do primeiro gol. Na verdade, meus caros amigos antigos, isto nada mais é do que se utilizar de um recurso, que para muitos é irrisório, em vista a obter certa vantagem em um processo seletivo, quero dizer, em qualquer coisa. É como, por exemplo, em um ato totalmente inescrupuloso, um time de futebol subir da Série C para a Série A de um campeonato. Malandragem pura.
Pois bem. A partir dai, podemos traçar um estudo psicológico de atitudes derivadas do "mimimi". Pense comigo: para que algo seja modificado em prol de uma causa qualquer, é preciso que haja um defeito inicial, um problema, uma mazela. Ou seja, para que a teoria do mimimi seja efetiva, é preciso que, necessariamente, haja a Lei de Murphy antes. Murphy era um engenheiro aeronauta americano que tentou fazer algo engenhoso e deu errado. Ele queria descobrir quanto um ser humano aguentaria sobre efeito de um foguete. Na verdade, ele tinha sensores que mediriam o qual um sujeito aguentaria antes que ele virasse guisado. Quase virou: os sensores estavam mal conectados. Até ai é Lei de Murphy pura. Depois, vira a Lei do Mimimi. Ele culpou o estagiário.
Um amigo meu que entende dessas coisas científicas, Dr. Hans Inepto, também compartilha desse pensamento. Ele afirma que o enunciado da Lei de Murphy, "o que tiver de dar errado, dará", pode muito bem ser completado com: "tudo pode ir, com jeito, do desastre ao sucesso". Hans viveu tanto tempo em Pindorama que descobriu nossa palavra mais cultuada, seguida de Ordem e Progresso: jeito. O chamado "jeitinho", que alguns chamam de lei da termodinâmica tupiniquim. O "jeitinho" é um artifício utilizado para driblar um suposto problema, que na verdade é caracterizado pela inaptidão. Nem todos são incompetentes completos. É ai que o "mimimi" se torna uma qualidade. Vira um artifício em meio a falta de justificativas. Malandragem legítima.
Vejamos Titonho. Ele nasceu um centímetro menor que Golimar. Eles têm a mesma idade, estudos, condições e chegaram à linha de chegada exatamente ao mesmo tempo. Mas Titonho tem uma desvantagem na vida: ele é mais baixo. Logo, ele é o vencedor. Antigamente poderia ser realizado um sorteio, mas os jogos de azar estão proibidos neste país.
Enfim, o "mimimi" está ai. Não há mais igualdade. Todos nós somos diferentes – e os mais espertos melhores – segundo esta lei. Não há como competir. Desista. Deixe de lado. Viram isso? Até isso essa lei faz. Que haja menos concorrentes. O "efeito mimimi" está generalizado na sociedade. Inclusive hoje mesmo vou concorrer ao Nobel de Física. Sou mais feio que Werner Heisenberg. Sem dúvidas, sou o favorito.

